sexta-feira, 11 de março de 2011

Japão declara emergência nuclear após sismo

Sismo no Japão: Abalo de 8,9 na escala de Richter faz vários mortos e feridos
in SIC Online (2011.03.11)

Um incêndio no edifício da turbina de uma central nuclear no nordeste do Japão deflagrou hoje, após o sismo de magnitude 8,9 na escala de Richter registado naquela região. As autoridades declararam emergência nuclear.

As autoridades japonesas declararam o estado de emergência na central nuclear de Fukushima (nordeste) após avaria no sistema de arrefecimento da unidade, disse hoje um porta-voz do Governo, que garantiu não existir fuga de radiações.

O sistema mecânico que arrefece o reator sofreu uma avaria após ter sido cessada a produção na central nuclear, em resultado do forte sismo sentido hoje no Japão, disse Yukio Edano, citado pela agência noticiosa norte-americana AP.

O estado de emergência, garantiu, é uma medida de precaução e não foram detetadas fugas de radiações na unidade de Fukushima, que não apresenta nenhum perigo imediato.

O último balanço dá conta de pelo menos 40 mortos e 39 desaparecidos na sequência do sismo de 8,9 na escala aberta de Richter que atingiu hoje a costa nordeste do Japão, seguido de um tsunami.

O Governo já admitiu que os danos são "consideráveis".

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, está reunido de emergência com o seu governo e determinou a criação de um comité de crise para monitorizar a situação, tendo ainda enviado meios navais para Tóquio e para a zona de Miyagi.

Ondas de cerca de dez metros atingiram a costa de Sendai, causando numerosos danos materiais. O alerta de tsunami foi emitido também na Rússia, Filipinas, ilhas Marianas e Pacífico.

Um homem de 77 anos foi morto pela queda de um muro de pedra na prefeitura de Chiba (região de Tóquio), uma pessoa morreu na região de Miyagi (nordeste) devido à queda de um objeto e um homem morreu na sequência do tsunami na prefeitura de Iwate (nordeste), avança a agência Jiji.

Uma mulher idosa também morreu soterrada por um telhado que caiu na província de Ibaraki (perto de Tóquio), disseram as autoridades locais à AFP.
Oito pessoas estão desaparecidas após um deslizamento de terra na área de Fukushima (nordeste) e uma criança foi arrastada pelas ondas do tsunami na província de Miyagi, segundo a imprensa.

Várias pessoas também ficaram feridas em Tóquio, após o desabamento do teto de um centro de conferências onde 600 alunos participavam numa cerimónia de formatura, anunciaram os bombeiros.

Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas em Osaki na prefeitura de Miyagi (nordeste), algumas foram atingidas por quedas de objetos e outras ficaram presas sob os escombros, adiantou a agência de notícias Kyodo citando os bombeiros.

As centrais nucleares da costa do Pacífico nas prefeituras de Miyagi e Fukushima foram automaticamente desativadas depois do forte sismo. As centrais nucleares cuja produção foi desativada automaticamente foram as de Onagawa, na prefeitura de Miyagi e as primeira e segunda centrais de Fukushima.

A central de Kashiwazaki-Kariwa, na prefeitura de Niigata, na costa do Mar do Japão, manteve-se em funcionamento.

O tsunami inundou o imenso parque da Disneylândia situado na região de Tóquio, noticiou a agência japonesa Jiji, citada pela AFP.

O sismo ocorreu às 14h46 locais (05h46 em Lisboa), a 179 quilómetros a leste de Sendai, ilha de Honshu, e a 382 quilómetros a nordeste de Tóquio.
O epicentro foi no Oceano Pacífico, a 130 quilómetros da península de Ojika, a uma profundidade de dez quilómetros.

A primeira réplica ocorreu às 15h06 locais (06h06), com magnitude 6,4 na escala de Richter, e a última registada pelo USGS foi sentida às 15h25 (06h25), com magnitude 7,1, segundo informação disponibilizada no "site" daquele instituto cerca das 07:00.

O forte abalo sacudiu vários edifícios de Tóquio e paralisou os transportes ferroviários e por estrada em boa parte do país. O tráfego aéreo foi também interrompido nos aeroportos de Narita e Haneda, à espera que se verifique o estado das pistas.
As autoridades decretaram de imediato o alerta na região e estenderam-no até à Rússia, Filipinas e várias ilhas do Pacífico.

Os especialistas avisam que um abalo desta dimensão pode criar ainda um outro tsunami destruidor.

Da cidade de Tóquio chegam relatos de vários incêndios na cidade, incluindo numa refinaria.

O tecto de um edificio ruiu quando, na altura, estavam 600 estudantes a participar numa cerimónia de entrega de diplomas. Muitos ficaram feridos.

As autoridades japonesas enviaram um avião das Forças Armadas para avaliar os danos causados pelo tremor.

Sismo no sudoeste da China mata 24 pessoas

Um habitante de Yingjiang em frente a um edifício destruído depois do tremor de terra (China Daily/ Reuters)
in PÚBLICO Online (10.03.2011 - 11:18, Notícia actualizada às 13h09)

Um sismo de magnitude 5.4 na escala de Richter (5.8 de acordo com a agência Xinhua), atingiu hoje a província de Yunnan, no sudoeste da China, provocando pelo menos 24 mortos e 207 feridos, de acordo com declarações de uma autoridade local à AFP.

O epicentro do sismo situa-se a 10 quilómetros de profundidade, segundo a agência oficial Xinhua, e provocou graves danos no distrito de Yingjiang, apenas a dois quilómetros de distância do epicentro.

Uma hora depois do sismo as autoridades registaram sete réplicas, declarou por telefone à AFP um responsável do districto de Yingjiang.

Às 17 horas locais, quatro horas depois do sismo, já 19 pessoas tinham morrido e muitas casas estavam a desmoronar-se, relatava o “site” oficial da província de Yunnan.

As autoridades afirmaram ter enviado uma equipa de peritos para as zonas afectadas e revelaram que uma “resposta de emergência de grau 3” fora lançada. (Autoridades acreditam que tremor de terra cause mais danos e mortos que anteriores)

O Comité nacional de redução de desastres, juntamente com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, já enviou 8 mil tendas, mantas e roupas para a região afectada pelo sismo.

Yingjiang, localizada numa zona propensa a tremores de terra, foi alvo de 1200 pequenos sismos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sismo na Nova Zelândia desprende 30 milhões de toneladas de gelo

in SIC Online (Publicação: 22-02-2011 21:02 - Última actualização: 22-02-2011 22:05, com Lusa)
O sismo de 6,3 na escala Richter, que hoje devastou Christchurch, na Nova Zelândia, foi suficientemente forte para desprender 30 milhões de toneladas de gelo do glaciar Tasman no parque nacional Mt. Cook, segundo o New Zealand Herald.

O jornal neozelandês refere que passageiros de duas embarcações foram atingidos por ondas de mais de 3,5 metros de altura quando o gelo caiu para o lago Terminal, junto ao glaciar Tasman.

Um responsável turístico da zona afirmou ao jornal que enormes icebergs se formaram no lago, que balançaram com grandes ondas durante 30 minutos.

Este desprendimento de gelo foi o terceiro maior de sempre a cair no lago Terminal, informou uma fonte local ao New Zealand Herald.

Pelo menos 65 pessoas morreram no sismo de magnitude 6.3 que atingiu Christchurch, a segunda cidade da Nova Zelândia, disse o primeiro-ministro, John Key, sublinhando que o balanço se pode agravar.

O estado de emergência foi decretado em Christchurch, onde equipas de socorro estão já a trabalhar.

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos, o sismo foi registado às 12:51 locais (23:51 em Lisboa) a cinco quilómetros da cidade de Christchurch e apenas a quatro quilómetros de profundidade.

Christchurch, com 340 mil habitantes, tinha já sido atingida a 04 de setembro de 2010 por um sismo que registou 7 na escala de Richter, do qual não resultaram vitimas mortais mas que provocou prejuízos consideráveis.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

'Devemos estar preparados' para a vinda do FMI


in Sol Online (Por Manuel Agostinho Magalhães - 10 de Janeiro, 2011)
«Devemos estar preparados», respondeu Cavaco Silva na última das entrevistas dos candidatos presidenciais à RTP, quando questionado sobre a intervenção do FMI em Portugal. E sobre as mais valias de 140% na venda das suas acções do BPN, disse que na altura nem ficou a saber, porque o banco reinvestiu o dinheiro.

Na entrevista à RTP, concedida no mesmo dia em que uma administradora do Banco de Portugal, Teodora Cardoso, defendeu as virtudes da ajuda externa, Cavaco sublinhou as suas desvantagens, já que «o FMI não conhece a realidade social portuguesa».

O PR antes sugeriu ao Governo uma «alternativa»: a venda de activos para pagar dívidas contraídas pelo Estado. Deu como exemplo a recente alienação do fundo de pensões da PT para propor ao Governo que estude a hipótese.

Sobre a polémica com a sua posição accionista no BPN, o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, disse que na altura em que vendeu as acções com 140% de lucro desconhecia as mais valias que obteve. Porque não era ele a movimentar as suas poupanças e o dinheiro foi imediatamente reinvestido.

«Nem fiquei a saber quanto eram as mais valias porque eles fizeram uma aplicação em fundos estrangeiros com uns nomes esquisitos», disse a Judite de Sousa.

Já em relação às críticas que fez à actual administração do BPN, Cavaco disse agora que não eram «pessoais» mas ao «modelo» de gestão que foi escolhido. O PR disse que se queria referir a decisões como «a separação dos activos tóxicos» ou a injecção de mais capital no banco, que agora o Governo admite fazer.

O Presidente da República que se recandidata a mais um mandato não quer «especular» mas admite a necessidade de recorrer em breve ao «fundo de estabilização europeu, que pode vir acompanhado» do FMI.

«Devemos estar preparados para que possa acontecer eventualmente alguma coisa», começou por responder. «Nunca devemos excluir», reiterou, completando que acredita que «o governo não exclua» a hipótese nesta altura, «embora esteja a fazer tudo o que está ao seu alcance».

Caso haja intervenção externa, Cavaco diz que fará tudo «para ajudar Portugal». E apontou a necessidade de haver união, perante os necessários sacrifícios, ou «condicionantes», como preferiu chamar-lhes.

«Gostaria que pudéssemos manter um clima de coesão», disse. «É importante que haja um diálogo de forças políticas com forças sociais». Mas Cavaco teme os efeitos da intervenção externa.

Afiram recear que «esses analistas, que vêm da União Europeia e que podem vir do FMI, não tenham um conhecimento da situação social portuguesa» pelo que fará o que puder para que tal não seja necessário.

E começou por dar sugestões: «Podem existir alternativas», para pagar as dividas. Portugal «pode vender activos», afirmou duas vezes, dando como exemplo a recente alienação na PT.

Em relação ao cumprimento do défice orçamental, Cavaco foi claro: Sócrates tem de apresentar resultados imediatamente e se o FMI entrar em Portugal, falhou. «Isso é muito claro. O Governo anunciou o objectivo ao Presidente e ao povo português». Mas, desdramatizando as afirmações anteriores («foi uma frase banal»), o candidato não quis extrair consequências ao nível da estabilidade governativa.

Já no cumprimento do défice é mais directo. «É fundamental haver resultados no primeiro trimestre» para cumprir os limites do défice, afirmou a Judite de Sousa, na entrevista gravada ao final da tarde na Batalha, e transmitida esta noite na RTP1.

«BPN: Eu era um mísero professor»

Em relação ao lucro que obteve com as acções que detinha com a mulher no BPN, a instituição gerida por Oliveira e Costa, seu ex-secretário de Estado, que será agora julgado por fraude, Cavaco Silva repetiu que agiu honestamente.

Aplicou o dinheiro quando não ocupava nenhum cargo público, dando indicações ao seu gestor para que o colocasse da forma mais lucrativa possível.

«Eu era um mísero professor», disse. «Andámos a amealhar as nossas poupanças para a velhice», justificou.

Garantiu que as acusações de favorecimento que lhe são apontadas pelos adversários são feitas de má fé.

«Eles sabem todos eles que sou de um rigor total em relação ao cumprimento da lei», disse. Por isso ficou desiludido com pessoas «por quem tinha algum respeito», não referindo o nome de Manuel Alegre ou de outro candidato.

Judite de Sousa insistiu nas perguntas sobre o caso, questionando-o se não tinha desconfiado de um lucro de 140% na venda de acções não cotadas na bolsa. Cavaco revelou que a sua relação com as poupanças era intermediada.

Disse também que não foi convidado para accionista, simplesmente pediu aos gestores do BPN: «Apliquem por forma a dar o máximo de rendimento». E foi a conselho da mulher que vendeu as acções, em 2003, mantendo o dinheiro no banco mais uns anos. «Nunca discuti um preço quando comprei nem quando vendi nem soube a quem vendi», afirmou.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Fenómeno global: Há pássaros a cair que nem tordos

Ilya Naymushin/reutersin i Online (por Joana Azevedo Viana e Sara Sanz Pinto - 06 de Janeiro de 2011)

Mortes em massa - O ano começou com tordos-sargento a cair do céu e corvinas a dar à costa mortas. Alterações climáticas ou apocalipse bíblico?

Passa pouco das 23h30 no Arkansas (EUA), noite de passagem de ano. Mais de metade do mundo já está em 2011 e a polícia da cidade de Beebe começa a receber várias chamadas a denunciar "chuvas de pássaros". Caem que nem tordos dos céus, mortos, e o fenómeno volta a repetir-se dias depois nos estados do Kentucky e Louisiana. Só uma espécie é atingida: os Tordo-Sargento. E a 100 milhas de Beebe, o rio do Arkansas vê morrer de súbito 100 mil peixes da mesma espécie (corvinas).

O fenómeno já tinha sido previsto no Antigo Testamento há mais de dois mil anos: "Hei-de consumir por completo tudo sobre a face da terra. Arrebatarei os homens e os animais, arrebatarei as aves do céu e os peixes do mar e os escândalos com os ímpios e desarreigarei os homens desta terra, fala o Senhor." (Sofonias 1:3). E, desde o início de 2011, está a multiplicar-se em várias zonas do planeta.

Ligações de terceiro grau

Ontem, depois dos estados americanos referidos, do Japão, Brasil e outros países, a cidade sueca de Falköping viu cerca de 100 tordos da mesma espécie cair do céu. As análises às aves mostram o mesmo em todas as cidades: os animais pareciam saudáveis, os órgãos apresentavam-se normais e não foram detectados sinais de doenças infecciosas ou crónicas. O relatório preliminar dos cientistas do Arkansas, publicado ontem, aponta para morte por pânico devido aos fogos-de-artifício da passagem de ano. Mas isso não explica nem o facto de o fenómeno continuar a acontecer cinco dias depois, nem porque é que apenas uma espécie de aves está a ser afectada. "Parece-me demasiado alarmista para já estar a relacionar os casos e a criar teorias da conspiração", diz o oceanógrafo José Lino Costa.

A análise do investigador do Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências ao i centra-se nas mortes das corvinas: "Este é um tipo de fenómeno que costuma acontecer depois de grandes tempestades, mas não me parece que tenha sido o caso, porque não afectaria só uma espécie", explica. "Pelo que leio, fico com a ideia de que estamos a falar de fenómenos diferenciados, quer entre os tordos e os peixes, quer mesmo entre os peixes nos vários locais. Em Cheesapeake Bay e no Brasil, as mortes parecem ser multiespecíficas, no primeiro caso claramente provocadas por um abaixamento súbito da temperatura, no outro devido à poluição".

O fim do mundo?

Como qualquer cientista, José Lino Costa é prudente na análise. A serem excluídas as hipóteses de alterações climáticas, de poluição e de pânico (e até mesmo a de exaustão, avançada por alguns especialistas em aves migratórias antes dos primeiros exames aos pássaros mortos), o investigador admite outros cenários, que se aproximam mais das teorias da conspiração que têm surgido. "Claro que se pode vir a provar que os fenómenos estão interligados, embora com os dados existentes ache isso pouco provável. Aí poderemos procurar causas mais gerais, como fenómenos climáticos de índole geral ou alterações do campo magnético."

Esta última hipótese dá o mote ao enredo de "Detonação", um filme apocalíptico que começa com a queda de aves quando o centro da Terra pára de girar. O filme, com a ajuda da Bíblia, está a inspirar os cidadãos mais atentos (e alarmistas) a falar no início do fim do mundo - ontem já apoiados por alguma imprensa chinesa. No Facebook nasceu entretanto um grupo de pessoas que vê na queda dos pássaros e na morte dos peixes sinais apocalípticos. E apesar de o "Dead Birds Falling from the Sky, Dead Fish, Doomsday" contar com menos de 80 membros até agora, as mesmas teorias já correm a blogosfera internacional.

Enquanto o mundo não acaba, outras conspirações surgem; a de maior destaque culpa o exército pela morte em massa das espécies. Segundo uma teoria ontem divulgada no website GodDiscussion, o homicídio de John P. Weeler III, assistente especial da Força Aérea na administração Bush, pode estar relacionado com a morte dos peixes e aves no Arkansas. Antes de aparecer morto, a 31 de Dezembro, Weeler estava alegadamente a preparar-se para denunciar testes militares com aviões de pulverização que estarão a ser levados a cabo na base militar da Força Aérea de Little Rock, nesse mesmo estado. Os gases venenosos testados teriam como propósito serem usados em teatro de guerra no Afeganistão e estavam armazenados na agência de materiais químicos Pine Bluff Arsenal, também baseada no Arkansas.

Portugal poderá ter em 2011 a terceira pior recessão do mundo

(Enric Vives-Rubio/ arquivo)in Público Online (Por Paulo Miguel Madeira, 06.01.2011 - 10:57)

A revista britânica The Economist prevê que este ano Portugal tenha a terceira pior evolução do PIB em todo o mundo, com uma recessão de mais de um por cento, juntando-se a um coro de instituições que não acreditam na previsão de crescimento marginal de 0,2 por cento da economia inscrito pelo Governo no Orçamento para 2011.
A previsão da Economist Inteligence Unit (uma empresa do mesmo grupo da revista que se dedica à investigação) para Portugal é apenas menos má do que a de Porto Rico e da Grécia, para os quais prevê contracções do produto interno bruto (PIB) de respectivamente mais de quatro por cento e de 3,6 por cento para a Grécia.
As previsões da Comissão Europeia para 2011, conhecidas no final de Novembro, apontam para um recuo de um por cento do PIB nacional, enquanto as do FMI apostam numa contracção de 1,5 por cento. A consultora Ernst & Young aposta por seu lado num recuo de 0,7 por cento.

Os países com problemas da periferia da zona euro, que a revista agrupa pela sigla de PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) estão todos na lista dos dez com pior desempenho do PIB, mas enquanto a Grécia, Portugal e Irlanda (-0,9) deverão viver um ano de retrocesso do produto, a Itália e a Espanha deverão ter crescimentos de respectivamente cerca de meio ponto percentual e 0,7 por cento.

Na lista dos piores desempenhos da revista, apenas seis países deverão ter recessão, o que significa que as suas economias deverão viver em 2011 uma situação muito particular, num ambiente de crescimento generalizado por todo o mundo.

Na lista das dez economias que mais devem crescer continuam e China e a Índia, com taxas de 8,9 e 8,6 por cento, respectivamente, no sexto e sétimo lugares de um grupo onde não consta nenhum país desenvolvido.

O Brasil e Angola, países lusófonos cujas economias têm apresentado fortes crescimentos, não estão nesta lista, mas Timor-Leste aparece na nona posição, com uma previsão de crescimento de sete a oito por cento em 2011. No primeiro lugar, o Qatar, com uma previsão de quase 16 por cento, seguido do Gana e da Mongólia.

As previsões da 'The Economist' para 2011

Combustíveis: preços em Portugal subiram mais do que na Europa

Preços da gasolina e do gasóleo subiram, apesar das descidas dos preços nos mercados internacionais





in Agência Financeira (2011-01-06 08:30)

Os preços nas bombas de combustíveis em Portugal subiram mais do que no resto da Europa. Esta é, pelo menos, a convicção da Associação Nacional de Revendores de Combustível (ANAREC) que esta quinta-feira manifestou as suas «dúvidas» sobre a forma como os preços nas bombas acompanham as oscilações do mercado internacional.

«A Autoridade da Concorrência diz-nos que há livre concorrência e que os preços acompanham as oscilações do mercado internacional, mas temos dúvidas sobre porque é que na Europa os combustíveis desceram muito mais do que em Portugal e subiram menos do que em Portugal. É a dúvida que temos. A bota não bate com a perdigota na maior parte das vezes», disse à Lusa o vice-presidente da associação, António Amaral.

«Os custos que nos são apresentados em termos práticos não são os que constatamos», acrescentou o mesmo dirigente.

Uma análise feita pela Lusa concluiu que preços da gasolina sem chumbo 95 subiram, em média, todas as semanas desde Setembro, à excepção de quatro vezes. Isto apesar de se terem registado sete quedas de preço deste produto nos mercados internacionais.

Os dados Direcção Geral de Geologia e Energia (DGGE), que lista os preços deste combustível no continente, indicam que a 1 de Setembro cada litro de gasolina sem chumbo 95 custava em média 1,357 euros.

Desde então, a DGGE registou 14 subidas de preços à segunda-feira - o dia de referência - custando agora cada litro de gasolina 95 em média 1,48 euros (quase 13 cêntimos mais), desceu três vezes e uma vez manteve-se inalterada.

As petrolíferas referem que estes preços na bomba acompanham a média semanal de preços dos produtos refinados nos mercados internacionais.

No entanto, de acordo com a agência Bloomberg, que lista estes preços diariamente, a média semanal de preços da tonelada métrica de gasolina 95 nos mercados internacionais subiu 10 vezes e desceu sete. Ou seja, desceu menos vezes em Portugal do que nos mercados internacionais.

No gasóleo, os números indicam uma tendência semelhante: o preço médio na bomba em Portugal subiu 13 vezes desde início de Setembro, desceu quatro e manteve-se inalterado uma vez. Já nos mercados internacionais a tonelada cúbica de gasóleo subiu 11 vezes na média semanal e desceu seis.

António Amaral sugere por isso que se crie um novo regulador só para verificar os preços dos combustíveis, tarefa actualmente entregue à Autoridade da Concorrência.

«Sugerimos que se crie uma entidade reguladora dos preços para que estes factores que fazem subir e descer o preço sejam devidamente claros. Estas questões têm de ser claras aos olhos dos consumidores já que são os revendedores que sofrem na pele acusações dos clientes por questões em que nada temos a ver», disse o vice-presidente da ANAREC à Lusa.