segunda-feira, 13 de junho de 2011

À espera do fim do mundo

in CM Online (12 Junho 2011)

Armas secretas, castigos divinos e conspirações internacionais alimentam teorias sobre o fim do planeta














O que têm em comum a tempestade de granizo que fustigou Lisboa em Abril deste ano, o grande sismo e tsunami que devastaram a costa japonesa em Março ou a estranha vaga de pássaros mortos que se verificou em várias partes da América no início do ano? Para muitos cibernautas de todo o Mundo, a resposta tem cinco letras: HAARP. Em inglês, esta é a sigla de High Frequency Active Auroral Research Program (Programa de Pesquisa de Actividade Aural de Alta Frequência, numa tradução livre).

Oficialmente, trata-se de um programa iniciado nos anos 90 pelas Forças Armadas americanas para o desenvolvimentos das comunicações através da ionosfera, a camada mais elevada da atmosfera do Planeta. A partir de uma base no Alasca, os americanos usam emissões de grande potência para comunicar com submarinos e aviões, mas os detractores do projecto dizem que se trata de uma arma capaz de provocar as mais terríveis catástrofes naturais.

CONTESTAÇÃO POLÍTICA

A especulação sobre os poderes malévolos do projecto HAARP não se alimenta apenas de fontes anónimas da internet: Em Janeiro de 2010, pouco depois de o Haiti ter sido arrasado por um sismo, o presidente venezuelano Hugo Chávez declarou que a catástrofe tinha sido "um claro resultado de um teste da marinha norte-americana", referindo "um terramoto experimental dos EUA". No caso do sismo do Japão, também não faltam advogados da causa de que o desastre natural foi provocado pelo HAARP, e até em relação à tempestade de granizo que se abateu sobre a região de Lisboa no final de Abril há quem associe o estranho fenómeno natural ao ‘sinistro' projecto americano.

Mas o HAARP é apenas uma das pontas de um gigantesco icebergue de teorias catastróficas. A internet é o vespeiro ideal onde se multiplicam cenários do fim dos tempos, incluindo o uso de poderosas armas secretas capazes de devastar o Planeta e manipular as consciências.

FIM DO MUNDO ADIADO

Há dias, o veterano radialista americano Harold Camping, de 89 anos, saltou para as notícias com a sua previsão de que o Mundo iria acabar a 21 de Maio. Harold, líder de um movimento cristão, gastou quase toda a sua fortuna pessoal (estimada em muitos milhões de dólares) a divulgar o acontecimento, e ficou destroçado quando acordou, vivo e de boa saúde, na manhã do dia 22. Desorientado, faltaram-lhe palavras para se dirigir àqueles que, como ele, se tinham livrado dos bens materiais para serem abençoados no dia do Juízo Final: "Não estamos no ramo de dar conselhos financeiros. A nossa missão é dizer às pessoas que há alguém com quem se pode falar, e esse alguém é Deus", disse o ‘visionário' à BBC. Apesar de considerar ter cometido "um erro terrível", Harold preconiza uma nova data para a segunda vinda de Cristo à Terra: o próximo dia 21 de Outubro.

O sociólogo Moisés Espírito Santo, especialista em religiões, lembra que as apoquentações espirituais sobre o fim do Mundo não são de agora. "O próprio Jesus Cristo disse aos seus seguidores que alguns deles iriam assistir ao Juízo Final", lembra o especialista. "Todas as religiões contêm nos seus escritos referências a um dia do Juízo Final, e há sempre quem tente encontrar datas para estes eventos. Mas são quase sempre movimentos à margem que apontam datas concretas". Na era da tecnologia, as teses mais esotéricas prosperam: "É uma utopia pensarmos que a Ciência poderá levar as pessoas a abandonar as suas crenças. Haverá sempre quem acredite nas teses mais obscurantistas ", diz Moisés Espírito Santo, que sublinha o facto de "a tecnologia e redes como a internet servirem muitas vezes para as pessoas descobrirem justificações adicionais para aquilo em que acreditam".

O MITO DOS MAIAS

A profecia apocalíptica mais popular da actualidade tem a ver com o fim do calendário Maia, a antiga civilização que despontou na América Latina até à chegada dos europeus. O mito instalado explica que os Maias contaram os dias até à data de 21 de Dezembro de 2012. Depois, viria o caos e a destruição. Hollywood agarrou o tema e, no ano passado, o filme ‘2012' arrastou para as salas de cinema milhões de espectadores.

CONTAS TROCADAS

No entanto, mais uma vez, entre o mito e a realidade vai uma distância considerável. Edwin Barnhart, director do Centro de Exploração Maia, baseado na cidade americana de Austin, é um dos mais reputados especialistas mundiais nesta antiga civilização. Em conversa com a Domingo, o investigador desmonta os vários mitos criados à volta do anunciado fim do Mundo.

"Existe uma grande confusão acerca da forma como o mundo ocidental analisa o calendário maia. A forma como usamos a matemática para contar o tempo não tem correspondência directa com o sistema que os maias usavam. Não há nenhuma prova que nos possa levar a concluir sem margem para dúvidas que o calendário Maia vá acabar a 21 de Dezembro de 2012", explica Edwin Barnhart.

"Estamos a viver a quarta era do calendário maia. O último ciclo iniciou-se no ano de 3114 a.C., mas não sabemos se todos os ciclos têm a mesma duração. Os maias encaravam a mudança de ciclos como uma oportunidade de renovação, de reconstruir a sociedade tanto em termos físicos, com a substituição de velhos edifícios por novas construções, como em termos espirituais, com a adopção de novos valores e comportamentos. Nunca se referem a acontecimentos catastróficos nessas mudanças", defende Barnhart.

Apesar do alarmismo, o investigador reconhece vantagens nesta onda de medo: "nunca houve tanto interesse pela cultura maia. Espero que, depois de 2012, as pessoas se possam concentrar no mais importante para apreciar os maias como uma das civilizações mais fascinantes do mundo antigo".

PLANETAS EM COLISÃO

Barnhart gasta boa parte do seu tempo a dar palestras nas universidades americanas, mas são muitos mais os que preferem acreditar no que se lê na internet. E se uma teoria da conspiração atrai muita gente, quando se combinam várias teorias num mesmo enredo o resultado é ainda melhor. A profecia maia tem sido conjugada com uma outra teoria catastrofista; a de que existe um 9º planeta (excluindo o despromovido Plutão) no Sistema Solar, designado por Planeta X ou Nibiru (alegadamente descoberto pelos sumérios há milhares de anos). Este planeta estará em rota de colisão com a Terra no dia em que se prevê o fim do tempos. O assunto ganhou tal dimensão que a própria agência espacial americana dedica várias páginas do seu site a tentar serenar os ânimos mais exaltados.

Numa dessas páginas, Don Yeomans, investigador sénior da NASA, usa o humor como arma: "Nada de mal vai acontecer à Terra em 2012. O nosso Planeta tem-se safado muito bem há mais de 4 mil milhões de anos, e cientistas credíveis de todo o Mundo desconhecem qualquer ameaça associada ao ano 2012". O cientista explica com mais detalhe a falsidade das teses de colisão iminente com outro corpo celeste: "Nibiru e outras histórias sobre planetas em rota de colisão são embustes da internet. Não há base factual para estas especulações. Se Nibiru ou o Planeta X fossem reais e estivessem na rota da Terra em 2012, os astrónomos já os estariam a seguir desde a última década e seriam agora visíveis a olho nu".

PERIGO NOS CÉUS

Outra preocupação muito em voga são os chamados ‘chemtrails', que podemos traduzir como ‘rastos químicos'. Ao observar os céus após a passagem de aviões, muita gente concluiu que os rastos de fumo branco deixados pelas aeronaves demoram cada vez mais tempo a dissipar-se. Rapidamente se chegou à conclusão de que, em vez de se tratar do vapor de condensação associado aos motores dos aviões, estas nuvens resultam do lançamento de químicos com fins malévolos.

Acusam-se os governos de terem programas específicos para produzir alterações climáticas e até envenenar populações. E pouco têm adiantado as respostas de diferentes autoridades. Os parlamentos do Canadá e do Reino Unido já estudaram o assunto, sem descobrir motivos de alarme, e os americanos emitiram, em 2000, um documento subscrito por várias entidades oficiais a garantir que estas nuvens são formadas principalmente por cristais de gelo. Mas basta escrever ‘chemtrails' num motor de pesquisa para obter milhares de resultados ‘aterradores'. E os céus de Portugal não estão a salvo...

REBELDES COM UMA CAUSA

Não são propriamente apocalípticos, mas acreditam que o Planeta chegou a um ponto de ruptura. Consumimos muito mais do que produzimos e a este ritmo a humanidade caminha para a ruína. O diagnóstico não é especialmente original, mas a receita que o Movimento Zeitgeist defende para resolver contradição insanável pressupõe uma nova ideologia. O Zeitgeist (expressão alemã que significa ‘o espírito do tempo') nasceu dos filmes de Peter Joseph, fundador do movimento. Peter começou por questionar o funcionamento da sociedade capitalista e dissecou as razões económicas das guerras e conflitos. O filme ‘Zeitgeist', de 2007, abriu caminho ao movimento homónimo.

Em Portugal, o site conta com 7500 assinaturas de gente empenhada em construir "uma sociedade baseada na distribuição de recursos, em que o método científico e a tecnologia garantam que todos tenham acesso gratuito aos bens essenciais", explica o coordenador nacional, Miguel Oliveira, um publicitário de 19 anos.

O movimento luta para que um dia os aparelhos político, judicial e jurídico se tornem obsoletos, para que se possa viver "num novo tipo de sociedade", sem políticos nem tribunais. Pode parecer uma utopia, mas Miguel Oliveira defende as suas convicções, acreditando nos efeitos a longo prazo: "Não sei se no meu tempo de vida vou assistir a estas transformações, mas é o nosso dever lançar as sementes e empenharmo-nos na educação dos mais novos, procurando consciencializá-los para construírem um mundo mais sustentável e racional", diz.

CONSPIRADORES PODEROSOS

Tema clássico das teorias da conspiração são as sociedades secretas, vistas como a causa de grande parte dos males do Mundo. Illuminati - que o escritor Dan Brown cita frequentemente nos seus livros -, o grupo Bilderberg ou o colectivo Bohemian Growth são alguns dos nomes atirados para a fogueira por reunirem os ricos e poderosos do Mundo e tomarem as grandes decisões da guerra, da política e da economia.

Mas a grande conspiração global desemboca na teoria da New World Order (Nova Ordem Mundial), que diz que o Mundo está nas mãos de um grupo restrito de grandes banqueiros, empresários e políticos, que decidem os rumos do Mundo conforme as suas conveniências. Num País a viver sobre o jugo das regras ditadas pela troika do FMI, Banco Central Europeu e União Europeia, abre-se terreno fértil para que todas as sementes da conspiração possam crescer e prosperar...

SISMO ANUNCIADO HÁ 30 ANOS AFINAL NÃO ACONTECEU

Falecido em 1979, o cientista italiano Raffaele Bendandi deixou uma vasta obra sobre a ocorrência de terramotos. Esforçou-se por desenvolver técnicas de prever os sismos e, há algumas semanas, começou a circular o rumor de que Bendandi tinha descoberto que a cidade de Roma haveria de ser abalada no dia 11 de Maio de 2011.

Apesar dos apelos à calma das autoridades, milhares de romanos tomaram o boato por verdadeiro e abandonaram a cidade. Muitas lojas fecharam e milhares de crianças foram retiradas das escolas pelos pais. Afinal, nem a terra tremeu, nem o rumor tinha fundamento. A própria família de Bendandi, que guarda os documentos do cientista, negou que existisse alguma referência ao malfadado sismo. O mito voltou a ganhar à razão.

NOTAS

INTERNET - O anonimato convida à irresponsabilidade e faz da internet um vasto campo para criar teorias alarmistas.

PROFECIA - A vidente latino-americana Luz de María de Bonilla prevê catástrofes em todo o Mundo. Acertou no Japão.

MÉDIA - Para quem crê nas teorias mais rebuscadas, os média tradicionais são agentes de contra-informação.

CIÊNCIA - Uma boa teoria da conspiração assenta em factos que possam ter a aparência de verdades científicas.

CINEMA - Os filmes sobre catástrofes são uma receita típica de Hollywood. ‘2012' foi um sucesso comercial.

PODER - Outro clássico ensinamento das teorias conspirativas. Quem manda não são aqueles em quem votamos.

WACO - Em 1993, o cerco à seita davidiana liderada pelo americano David Koresh resultou em 70 mortes.

domingo, 15 de maio de 2011

Brasil: Sismo de magnitude seis a mil km da costa


in TSF Online (11.05.15 - 17:42)

Um terramoto de magnitude seis sacudiu este domingo o Oceano Atlântico, a mais de mil quilómetros da costa do Brasil, informou o Instituto Geológico norte-americano.
O sismo que ocorreu às 13h08 TMG (14h08 em Lisboa) teve o seu epicentro na cordilheira dorsal meso-atlântica, a 1.277 quilómetros a noroeste de Natal, no Brasil, e a 1.624 quilómetros de Cabo Verde.

O tremor de terra ocorreu a uma profundidade de 10 quilómetros, segundo o Instituto Geológico norte-americano, que tem sede em Boulder, no Colorado.

Até ao momento não há indícios de que o sismo vá provocar um tsunami.

Sismo em Espanha não terá consequências em Portugal

in Diário Digital / Lusa (quinta-feira, 12 de Maio de 2011 | 10:34)

O sismo que abalou na quarta-feira a cidade de Lorca, em Espanha, não terá consequências nem réplicas em Portugal porque o terramoto aconteceu numa zona longe da fronteiras de placas tectónicas, explicou à Lusa o sismólogo Francisco Carrilho.
«À partida Portugal não tira consequências diretas» até porque «o sismo aconteceu devido a um movimento numa falha tectónica longe da zona de fronteira», disse o diretor do departamento de sismologia e geofísica do Instituto de Meteorologia de Portugal.

Apesar de ter sido um terramoto com uma magnitude de «apenas» 5,2 na escala de Richter, o sismo teve efeitos que, segundo o sismólogo, ficam «no topo do topo dos expectáveis».

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Juros da dívida portuguesa a 5 e 10 anos voltam a bater máximos históricos

in SIC Online (Publicação: 14-04-2011 10:38 | Última actualização: 14-04-2011 10:44 - Fonte: LUSA)

Os juros exigidos pelos investidores para deter títulos de dívida soberana portuguesa a cinco e dez anos voltaram hoje a bater máximos, negociando acima dos 10,3% e 8,7%. Os juros continuam a subir, num momento em que a troika (União Europeia, BCE e FMI) está em Lisboa a preparar as negociações sobre o plano de resgate e surgem notícias sobre a existência de países europeus contra a ajuda a Portugal.

No prazo a cinco anos, a taxa negociava nos 10,342%, acima dos 10,250% registados na quarta-feira, atingindo o 'spread' face à dívida alemã os 761,5 pontos base, segundo a agência de informação financeira Bloomberg.

Já os juros exigidos pelos investidores para deterem títulos de dívida soberana portuguesa a dez anos negoceiam hoje em média nos 8,786%, acima dos 8,743% de quarta-feira. O 'spread' face à dívida alemã chegava aos 537,1 pontos base.

A taxa a dois anos, também subia, negociando nos 9,125%, acima dos 9,051 por cento de quarta-feira, e o 'spread' face à dívida alemã tocava nos 728,2 pontos base.

Portugal’s Unnecessary Bailout (O resgate desnecessário de Portugal)

João Fazenda
in New York Times Online (By ROBERT M. FISHMAN*, Op-Ed Contributor - Published: April 12, 2011)

South Bend, Ind.
PORTUGAL’S plea for help with its debts from the International Monetary Fund and the European Union last week should be a warning to democracies everywhere.


The crisis that began with the bailouts of Greece and Ireland last year has taken an ugly turn. However, this third national request for a bailout is not really about Debt. Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts who, for short-sighted or ideological reasons, have now managed to drive out one democratically elected administration and potentially tie the hands of the next one.

If left unregulated, these market forces threaten to eclipse the capacity of democratic governments — perhaps even America’s — to make their own choices about taxes and spending.

Portugal’s difficulties admittedly resemble those of Greece and Ireland: for all three countries, adoption of the euro a decade ago meant they had to cede control over their monetary policy, and a sudden increase in the risk premiums that bond markets assigned to their sovereign debt was the immediate trigger for the bailout requests.

But in Greece and Ireland the verdict of the markets reflected deep and easily Identifiable economic problems. Portugal’s crisis is thoroughly different; there was not a genuine underlying crisis. The economic institutions and policies in Portugal that some financial analysts see as hopelessly flawed had achieved notable successes before this Iberian nation of 10 million was subjected to successive waves of attack by bond traders.

Market contagion and rating downgrades, starting when the magnitude of Greece’s difficulties surfaced in early 2010, have become a self-fulfilling prophecy: by raising Portugal’s borrowing costs to unsustainable levels, the rating agencies forced it to seek a bailout. The bailout has empowered those “rescuing” Portugal to push for unpopular austerity policies affecting recipients of student loans, retirement pensions, poverty relief and public salaries of all kinds.

The crisis is not of Portugal’s doing. Its accumulated debt is well below the level of nations like Italy that have not been subject to such devastating assessments. Its budget deficit is lower than that of several other European countries and has been falling quickly as a result of government efforts.

And what of the country’s growth prospects, which analysts conventionally assume to be dismal? In the first quarter of 2010, before markets pushed the interest rates on Portuguese bonds upward, the country had one of the best rates of economic recovery in the European Union. On a number of measures — industrial orders, entrepreneurial innovation, high-school achievement and export growth — Portugal has matched or even outpaced its neighbors in Southern and even Western Europe.

Why, then, has Portugal’s debt been downgraded and its economy pushed to the brink? There are two possible explanations. One is ideological skepticism of Portugal’s mixed-economy model, with its publicly supported loans to small businesses, alongside a few big state-owned companies and a robust welfare state. Market fundamentalists detest the Keynesian-style interventions in areas from Portugal’s housing policy — which averted a bubble and preserved the availability of low-cost urban rentals — to its income assistance for the poor.

A lack of historical perspective is another explanation. Portuguese living standards increased greatly in the 25 years after the democratic revolution of April 1974. In the 1990s labor productivity increased rapidly, private enterprises deepened capital investment with help from the government, and parties from both the center-right and center-left supported increases in social spending. By the century’s end the country had one of Europe’s lowest unemployment rates.

In fairness, the optimism of the 1990s gave rise to economic imbalances and excessive spending; skeptics of Portugal’s economic health point to its relative stagnation from 2000 to 2006. Even so, by the onset of the global financial crisis in 2007, the economy was again growing and joblessness was falling. The recession ended that recovery, but growth resumed in the second quarter of 2009, earlier than in other countries.

Domestic politics are not to blame. Prime Minister José Sócrates and the governing Socialists moved to cut the deficit while promoting competitiveness and maintaining social spending; the opposition insisted it could do better and forced out Mr. Sócrates this month, setting the stage for new elections in June. This is the stuff of normal politics, not a sign of disarray or incompetence as some critics of Portugal have portrayed it.

Could Europe have averted this bailout? The European Central Bank could have bought Portuguese bonds aggressively and headed off the latest panic. Regulation by the European Union and the United States of the process used by credit rating agencies to assess the creditworthiness of a country’s debt is also essential. By distorting market perceptions of Portugal’s stability, the rating agencies — whose role in fostering the subprime mortgage crisis in the United States has been amply documented — have undermined both its economic recovery and its political freedom.

In Portugal’s fate there lies a clear warning for other countries, the United States included. Portugal’s 1974 revolution inaugurated a wave of democratization that swept the globe. It is quite possible that 2011 will mark the start of a wave of encroachment on democracy by unregulated markets, with Spain, Italy or Belgium as the next potential victims.

Americans wouldn’t much like it if international institutions tried to tell New York City, or any other American municipality, to jettison rent-control laws. But that is precisely the sort of interference now befalling Portugal — just as it has Ireland and Greece, though they bore more responsibility for their fate.

Only elected governments and their leaders can ensure that this crisis does not end up undermining democratic processes. So far they seem to have left everything up to the vagaries of bond markets and rating agencies.

* Robert M. Fishman, a professor of sociology at the University of Notre Dame, is the co-editor of “The Year of the Euro: The Cultural, Social and Political Import of Europe’s Common Currency.”

- A version of this op-ed appeared in print on April 13, 2011, on page A25 of the New York edition.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Governo só entrega pedido formal de ajuda externa depois de negociar com a oposição

in SIC Online (Publicação: 07-04-2011 10:03 | Última actualização: 07-04-2011 11:06 )

O Governo só vai entregar formalmente o pedido de ajuda financeira a Bruxelas depois de discutir os termos concretos com os principais partidos da oposição, disse hoje à Lusa fonte governamental.

Apesar de a solicitação ter sido anunciada na quarta-feira pelo primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, o Governo e os partidos terão ainda de determinar que garantias serão oferecidas pelo Estado e em que termos será apresentado o pedido, explicou a fonte.

"Não há nenhuma data específica para entregar o pedido e não há nenhuma obrigação de o fazer durante a reunião Ecofin", que começa na sexta-feira e reúne os ministros das Finanças dos Estados-membros da União Europeia, acrescentou.

As negociações entre os partidos vão ser promovidas pelo Presidente da República. Segundo o Diário Económico, Aníbal Cavaco Silva "iniciou contactos com os principais partidos políticos mal foi informado, durante a tarde de ontem (quarta-feira), de que o Governo ia oficializar um resgate financeiro junto da União Europeia".

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, disse na quarta-feira que apoia o pedido de ajuda financeira externa feito pelo Governo, acrescentando que o seu partido está disponível para apoiar "um quadro de ajuda mínimo" a negociar pelo executivo. O CDS-PP, que também deverá participar nas negociações, ainda não se pronunciou, tendo o líder Paulo Portas remetido uma reação para hoje.

A presidência húngara da União Europeia anunciou, entretanto, que começará a analisar a questão da ajuda a Portugal ainda hoje, tendo convocado uma conferência de imprensa em Budapeste, onde os ministros das Finanças têm esta noite uma reunião informal antes do Ecofin, segundo noticiou a agência espanhola EFE.

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, afirmou, a 24 de março, que o resgate a Portugal deverá ascender a 75 mil milhões de euros.

Portugal é o terceiro país da União Europeia solicitar um resgate para enfrentar dificuldades económicas depois da Grécia e da Irlanda.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, garantiu a José Sócrates que o pedido de ativação dos mecanismos de auxílio financeiro será tratado "da forma mais expedita possível, de acordo com as regras pertinentes".

(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico) Lusa

terça-feira, 22 de março de 2011

Morreu Artur Agostinho


in TSF Online (por Cristina Santos - 2011.03.22)

Artur Agostinho faleceu esta terça-feira, aos 90 anos, avançou o Record. O jornalista desportivo, locutor de rádio, actor e apresentador de televisão esteve ainda ligado ao Sporting.

Foi locutor de rádio amador na juventude, actividade que ganhou importância a tempo inteiro quando aos 25 anos entrou na Emissora Nacional.

Durante as décadas de 40 e de 50, Artur Agostinho participou em alguns filmes, como por exemplo "O Leão da Estrela" (1947) e "Cantiga da Rua" (1949).

Artur Agostinho nunca deixou o jornalismo desportivo, tendo chegado em 1956 a director do Jornal Record, cargo que assumiu até 1974.

Artur Agostinho foi uma das vozes que transmitiu aos portugueses as vitórias da selecção no Mundial de 1966, em Inglaterra.

Em 1957, ano em que a RTP começou a emitir regularmente, Artur Agostinho já trabalhava em televisão, como jornalista e como apresentador de programas e concursos.

Sem nunca escolher entre o jornalismo desportivo e a representação, Artur Agostinho foi ainda, até meados de 2000, presidente do Grupo Stromp, entidade ligada ao Sporting Clube de Portugal que tem por objectivo principal organizar uma festa que premeia os atletas do clube que mais se destacaram durante o ano.

Em 2003, foi um dos actores a entrar na série televisiva "Ana e os Sete" e um ano depois no filme "Tudo Isto é Fado".

Em Dezembro, Artur Agostinho foi agraciado por Cavaco Silva com a Comenda da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, numa cerimónia que decorreu no Palácio de Belém.