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domingo, 15 de maio de 2011

Brasil: Sismo de magnitude seis a mil km da costa


in TSF Online (11.05.15 - 17:42)

Um terramoto de magnitude seis sacudiu este domingo o Oceano Atlântico, a mais de mil quilómetros da costa do Brasil, informou o Instituto Geológico norte-americano.
O sismo que ocorreu às 13h08 TMG (14h08 em Lisboa) teve o seu epicentro na cordilheira dorsal meso-atlântica, a 1.277 quilómetros a noroeste de Natal, no Brasil, e a 1.624 quilómetros de Cabo Verde.

O tremor de terra ocorreu a uma profundidade de 10 quilómetros, segundo o Instituto Geológico norte-americano, que tem sede em Boulder, no Colorado.

Até ao momento não há indícios de que o sismo vá provocar um tsunami.

Sismo em Espanha não terá consequências em Portugal

in Diário Digital / Lusa (quinta-feira, 12 de Maio de 2011 | 10:34)

O sismo que abalou na quarta-feira a cidade de Lorca, em Espanha, não terá consequências nem réplicas em Portugal porque o terramoto aconteceu numa zona longe da fronteiras de placas tectónicas, explicou à Lusa o sismólogo Francisco Carrilho.
«À partida Portugal não tira consequências diretas» até porque «o sismo aconteceu devido a um movimento numa falha tectónica longe da zona de fronteira», disse o diretor do departamento de sismologia e geofísica do Instituto de Meteorologia de Portugal.

Apesar de ter sido um terramoto com uma magnitude de «apenas» 5,2 na escala de Richter, o sismo teve efeitos que, segundo o sismólogo, ficam «no topo do topo dos expectáveis».

sexta-feira, 11 de março de 2011

Japão declara emergência nuclear após sismo

Sismo no Japão: Abalo de 8,9 na escala de Richter faz vários mortos e feridos
in SIC Online (2011.03.11)

Um incêndio no edifício da turbina de uma central nuclear no nordeste do Japão deflagrou hoje, após o sismo de magnitude 8,9 na escala de Richter registado naquela região. As autoridades declararam emergência nuclear.

As autoridades japonesas declararam o estado de emergência na central nuclear de Fukushima (nordeste) após avaria no sistema de arrefecimento da unidade, disse hoje um porta-voz do Governo, que garantiu não existir fuga de radiações.

O sistema mecânico que arrefece o reator sofreu uma avaria após ter sido cessada a produção na central nuclear, em resultado do forte sismo sentido hoje no Japão, disse Yukio Edano, citado pela agência noticiosa norte-americana AP.

O estado de emergência, garantiu, é uma medida de precaução e não foram detetadas fugas de radiações na unidade de Fukushima, que não apresenta nenhum perigo imediato.

O último balanço dá conta de pelo menos 40 mortos e 39 desaparecidos na sequência do sismo de 8,9 na escala aberta de Richter que atingiu hoje a costa nordeste do Japão, seguido de um tsunami.

O Governo já admitiu que os danos são "consideráveis".

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, está reunido de emergência com o seu governo e determinou a criação de um comité de crise para monitorizar a situação, tendo ainda enviado meios navais para Tóquio e para a zona de Miyagi.

Ondas de cerca de dez metros atingiram a costa de Sendai, causando numerosos danos materiais. O alerta de tsunami foi emitido também na Rússia, Filipinas, ilhas Marianas e Pacífico.

Um homem de 77 anos foi morto pela queda de um muro de pedra na prefeitura de Chiba (região de Tóquio), uma pessoa morreu na região de Miyagi (nordeste) devido à queda de um objeto e um homem morreu na sequência do tsunami na prefeitura de Iwate (nordeste), avança a agência Jiji.

Uma mulher idosa também morreu soterrada por um telhado que caiu na província de Ibaraki (perto de Tóquio), disseram as autoridades locais à AFP.
Oito pessoas estão desaparecidas após um deslizamento de terra na área de Fukushima (nordeste) e uma criança foi arrastada pelas ondas do tsunami na província de Miyagi, segundo a imprensa.

Várias pessoas também ficaram feridas em Tóquio, após o desabamento do teto de um centro de conferências onde 600 alunos participavam numa cerimónia de formatura, anunciaram os bombeiros.

Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas em Osaki na prefeitura de Miyagi (nordeste), algumas foram atingidas por quedas de objetos e outras ficaram presas sob os escombros, adiantou a agência de notícias Kyodo citando os bombeiros.

As centrais nucleares da costa do Pacífico nas prefeituras de Miyagi e Fukushima foram automaticamente desativadas depois do forte sismo. As centrais nucleares cuja produção foi desativada automaticamente foram as de Onagawa, na prefeitura de Miyagi e as primeira e segunda centrais de Fukushima.

A central de Kashiwazaki-Kariwa, na prefeitura de Niigata, na costa do Mar do Japão, manteve-se em funcionamento.

O tsunami inundou o imenso parque da Disneylândia situado na região de Tóquio, noticiou a agência japonesa Jiji, citada pela AFP.

O sismo ocorreu às 14h46 locais (05h46 em Lisboa), a 179 quilómetros a leste de Sendai, ilha de Honshu, e a 382 quilómetros a nordeste de Tóquio.
O epicentro foi no Oceano Pacífico, a 130 quilómetros da península de Ojika, a uma profundidade de dez quilómetros.

A primeira réplica ocorreu às 15h06 locais (06h06), com magnitude 6,4 na escala de Richter, e a última registada pelo USGS foi sentida às 15h25 (06h25), com magnitude 7,1, segundo informação disponibilizada no "site" daquele instituto cerca das 07:00.

O forte abalo sacudiu vários edifícios de Tóquio e paralisou os transportes ferroviários e por estrada em boa parte do país. O tráfego aéreo foi também interrompido nos aeroportos de Narita e Haneda, à espera que se verifique o estado das pistas.
As autoridades decretaram de imediato o alerta na região e estenderam-no até à Rússia, Filipinas e várias ilhas do Pacífico.

Os especialistas avisam que um abalo desta dimensão pode criar ainda um outro tsunami destruidor.

Da cidade de Tóquio chegam relatos de vários incêndios na cidade, incluindo numa refinaria.

O tecto de um edificio ruiu quando, na altura, estavam 600 estudantes a participar numa cerimónia de entrega de diplomas. Muitos ficaram feridos.

As autoridades japonesas enviaram um avião das Forças Armadas para avaliar os danos causados pelo tremor.

Sismo no sudoeste da China mata 24 pessoas

Um habitante de Yingjiang em frente a um edifício destruído depois do tremor de terra (China Daily/ Reuters)
in PÚBLICO Online (10.03.2011 - 11:18, Notícia actualizada às 13h09)

Um sismo de magnitude 5.4 na escala de Richter (5.8 de acordo com a agência Xinhua), atingiu hoje a província de Yunnan, no sudoeste da China, provocando pelo menos 24 mortos e 207 feridos, de acordo com declarações de uma autoridade local à AFP.

O epicentro do sismo situa-se a 10 quilómetros de profundidade, segundo a agência oficial Xinhua, e provocou graves danos no distrito de Yingjiang, apenas a dois quilómetros de distância do epicentro.

Uma hora depois do sismo as autoridades registaram sete réplicas, declarou por telefone à AFP um responsável do districto de Yingjiang.

Às 17 horas locais, quatro horas depois do sismo, já 19 pessoas tinham morrido e muitas casas estavam a desmoronar-se, relatava o “site” oficial da província de Yunnan.

As autoridades afirmaram ter enviado uma equipa de peritos para as zonas afectadas e revelaram que uma “resposta de emergência de grau 3” fora lançada. (Autoridades acreditam que tremor de terra cause mais danos e mortos que anteriores)

O Comité nacional de redução de desastres, juntamente com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, já enviou 8 mil tendas, mantas e roupas para a região afectada pelo sismo.

Yingjiang, localizada numa zona propensa a tremores de terra, foi alvo de 1200 pequenos sismos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sismo na Nova Zelândia desprende 30 milhões de toneladas de gelo

in SIC Online (Publicação: 22-02-2011 21:02 - Última actualização: 22-02-2011 22:05, com Lusa)
O sismo de 6,3 na escala Richter, que hoje devastou Christchurch, na Nova Zelândia, foi suficientemente forte para desprender 30 milhões de toneladas de gelo do glaciar Tasman no parque nacional Mt. Cook, segundo o New Zealand Herald.

O jornal neozelandês refere que passageiros de duas embarcações foram atingidos por ondas de mais de 3,5 metros de altura quando o gelo caiu para o lago Terminal, junto ao glaciar Tasman.

Um responsável turístico da zona afirmou ao jornal que enormes icebergs se formaram no lago, que balançaram com grandes ondas durante 30 minutos.

Este desprendimento de gelo foi o terceiro maior de sempre a cair no lago Terminal, informou uma fonte local ao New Zealand Herald.

Pelo menos 65 pessoas morreram no sismo de magnitude 6.3 que atingiu Christchurch, a segunda cidade da Nova Zelândia, disse o primeiro-ministro, John Key, sublinhando que o balanço se pode agravar.

O estado de emergência foi decretado em Christchurch, onde equipas de socorro estão já a trabalhar.

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos, o sismo foi registado às 12:51 locais (23:51 em Lisboa) a cinco quilómetros da cidade de Christchurch e apenas a quatro quilómetros de profundidade.

Christchurch, com 340 mil habitantes, tinha já sido atingida a 04 de setembro de 2010 por um sismo que registou 7 na escala de Richter, do qual não resultaram vitimas mortais mas que provocou prejuízos consideráveis.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tsunami fez 108 mortos e 502 desaparecidos

in TSF Online (Hoje às 14:17)

Pelo menos 108 pessoas morreram e 502 desapareceram na Indonésia, na sequência do sismo de segunda-feira, com epicentro no mar ao largo da ilha de Samatra, que provocou um tsunami em várias ilhas.

Fontes citadas pela agência noticiosa espanhola EFE indicaram que entre os desaparecidos está uma dezena de turistas australianos que viajava a bordo de uma embarcação de 100 passageiros.

Pouco tempo depois do sismo, de magnitude 7,7 na escala de Richter, o centro de alertas de tsunami do Pacífico emitiu um alerta de tsunami, que foi retirado mais tarde.

Os especialistas afirmaram que se terá produzido um maremoto de baixa intensidade, seguido de pelo menos duas réplicas de magnitude superior a seis graus, segundo o serviço geológico dos Estados Unidos.

O mesmo porta-voz, Agolo Suparto, indicou que pelo menos dez ilhas foram varridas pelas vagas.

O sismo ocorreu na região de Kepulauan Mentawai na segunda-feira às 21:42 (15:42 em Lisboa). O epicentro foi registado a uma profundidade de apenas 14,2 quilómetros, de acordo com o observatório geológico norte-americano (USGS).

A zona de Kepulauan Mentawai situa-se a 240 quilómetros a oeste de Bengkulu, na ilha de Samatra, e a 280 quilómetros a sul de Padang, uma região muito frequentada por turistas.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Estudo: Sismo do Chile abre falha de 500 km

Sismo do Chile abre falha de 500 km
in DN Online (por PEDRO VILELA MARQUES, 2010.08.02)

Cientistas alertam que sismo de Fevereiro levantou partes da costa chilena em 2,5 metros e noutras zonas afundou um metro. 'Efeito-acordeão' faz temer que a terra trema de novo.

O sismo que varreu o Chile em Fevereiro - considerado o quinto mais forte na história da sismologia moderna, ao atingir os 8,8 graus na escala de Richter - abriu uma falha no solo que se prolonga ao longo de 500 quilómetros de costa. Uma equipa de especialistas franceses, alemães e chilenos publicou um estudo na revista Science em que demonstra que o terramoto mudou a costa chilena, empurrando 2,5 metros para cima terrenos próximos do oceano e afundando um metro algumas zonas interiores.

A investigação centrou-se em 24 pontos junto ao mar e em nove vales de estuários, onde se encontra aquilo a que os cientistas intitulam de "linha charneira", 120 quilómetros de fissura que separam as áreas levantadas das outras que afundaram com o sismo. Os limites das áreas levantadas revelam algas sobre uma crosta de corais mortos, o que demonstra o sentido ascendente do movimento sísmico, enquanto os pontos de referência de obras humanas e o limite mais baixo da vegetação indicam as áreas de afundamento.

Este é o chamado "efeito-acordeão", considerado normal e semelhante ao que já tinha acontecido na Indonésia em 2004. O grande problema, alerta Andrés Tassara, um dos cientistas, é que a terra pode voltar ao mesmo lugar no futuro. "Se houver outro terramoto, essa força acumula-se em todos os lugares da costa onde a terra levantou até um ponto em que não aguenta e gera novo terramoto".

As conclusões do estudo feito no Chile parecem mesmo confirmar esta tese. Os especialistas perceberam que os deslocamentos verticais do solo resultaram da libertação da elasticidade acumulada entre as placas tectónicas desde os sismo de Fevereiro de 1835 em Conceição, que gerou também um maremoto. "A maior parte da tensão acumulada durante o ciclo sísmico libertou-se com o terramoto de 27 de Fevereiro", adiantam, ainda, os cientistas.

O efeito devastador deste sismo serviu como aviso para as autoridades chilenas que foram acusadas de não ter em conta o que os sismólogos lhes diziam, nomeadamente quanto à possibilidade iminente de um sismo de grande magnitude afectar o país. Com a natureza a dar razão aos cientista, a preocupação é, neste momento, tentar prever o próximo abalo e, principalmente, preparar a população.

O mais recente alerta surgiu para o Norte do Chile, junto à fronteira com o Peru. O último grande sismo da zona aconteceu em 1877 e os cientistas avisam que um abalo de magnitude idêntica à registada em Fevereiro poderá acontecer amanhã, ou nos próximos anos, mas defendem que vai acontecer. As autoridades locais já trabalham para minimizar os estragos e as vítimas.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

(Depois do Haiti, Chile e México...) Sismo na China faz 400 mortos e 10 000 feridos


in Visão Online (10:54 Quarta-feira, 14 de Abr de 2010 - Última actualização há 34 minutos)

400 mortos e 10 000 feridos. Este é o último balanço relativo ao número de vítimas do sismo, de magnitude 6,9 na escala de Richter, que abalou hoje a província chinesa de Qinghai, junto à região autónoma do Tibete, noroeste da China.

Segundo o Instituto de Geofísica Americano a magnitude do sismo que acordou hoje a China foi de 6,9 na escala de Richter. As autoridades chinesas apontam para 7,1. Entretanto no terreno já se fizeram sentir, pelo menos, tres réplicas com magnitude até 5,8. O primeiro abalo aconteceu pelas 8h00m (hora local), 1h00m em Portugal.

Em Jiegu, aldeia com cerca de 100 mil habitantes, a 50 quilómetros do epicentro, 85 por cento das habitações ruíram e no momento estão perto de 5000 socorristas no local. Vários desabamentos de terra na região provocam o corte de estradas e dificultam as comunicações no local. As autoridades chinesas temem que o número de mortos venha a aumentar devido ao número de feridos graves e de soterrados. Entre os edifícios que desabaram há registo de uma escola profissional, pelo que se encontram muitos estudantes entre os escombros.

Embora não se costumem registar vitimas, esta zona montanhosa dos Himalaias é de forte actividade sísmica. Até agora as zonas abaladas não costumam ser zonas habitadas.

Segundo as declarações de Rui Quartin Santos, embaixador português em Pequim, à agência Lusa, não há registo de portugueses na zona do tremor de terra. Em contacto com outras embaixadas da capital chinesa, Quartin Santos desconhece qualquer registo de "europeus afectados pelo sismo".

José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, já ofereceu a ajuda de Bruxelas. Em comunicado, Durão Barraso anunciou estar "profundamente chocado" com os acontecimentos. O governo, as autoridades e o povo chinês podem contar com a solidariedade e ajuda da Comissão Europeia.

(Em retrospectiva) México teme novo sismo após um abalo de grau 7,2


in DN Online (por PATRÍCIA VIEGAS - 06 Abril 2010)

O terceiro mais forte sismo deste ano na América causou duas mortes e danos materiais, tendo sido sentido até em Los Angeles.

O México está em alerta para a possibilidade de vir a registar-se um outro sismo nos próximos dias, depois de no domingo à tarde (quase meia-noite em Lisboa) ter sofrido um forte abalo de grau 7,2 na escala de Richter, no estado da Baixa Califórnia. Há notícia de dois mortos, prédios caídos, ligações telefónicas interrompidas, cortes de água e electricidade. "A seguir a cada terramoto, há a probabilidade de haver um abalo maior nos dias seguintes", lembrou a sismóloga Lucy Jones, do California Institute of Technology, citada pela ABC News.

O abalo produziu-se a dez quilómetros de profundidade, perto da cidade fronteiriça de Mexicali. Esta estava ontem em estado de emergência por ordem do governador José Guadalupe Osuna. Foi aí que morreram dois homens, um deles esmagado pela sua casa. O epicentro do sismo foi localizado a 26 quilómetros de Guadalupe Victoria, no México. E a 64 quilómetros de San Luis, no Arizona (Estados Unidos).

O sismo terá durado de 30 a 45 segundos, disseram testemunhas, tendo havido várias réplicas mais ou menos fortes ao longo de todo o dia de ontem. Foi sentido até na cidade de Los Angeles, onde uma mulher chegou a ficar presa dentro de um elevador. Trata-se do terceiro mais forte no continente americano este ano, depois dos que aconteceram no Haiti e no Chile, respectivamente, a 12 de Janeiro e a 27 de Fevereiro. "Estava no deserto e subitamente sentiu- -se realmente um forte abanão", disse à AFP Matt Diaz, um dos inspectores da polícia do condado americano de Riverside.

"Agarrei nos meus filhos e corri a gritar para irmos para a rua", contou à AP Elizabeth Álvarez, uma habitante de Tijuana. Aqui centenas de pessoas fugiram da praia, com medo de um eventual tsunami, apesar de não ter sido accionado qualquer tipo de alerta, indicou à mesma agência o capitão Juan Manuel Hernandez, do departamento de bombeiros responsável pela evacuação das zonas mais próximas do mar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

3 milhões de pessoas afectadas no sismo do Haiti













Milhares podem ter morrido / As primeiras informações apontavam para um grau muito significativo de destruição

in Público, Última Hora (13-01-2010 - 08:25 Por Rita Siza, Washington - Notícia actualizada às 12h42)

Poderá demorar vários dias até se conhecer o número exacto de vítimas do violento terramoto que devastou a capital do Haiti, Port au Prince. Segundo a Cruz Vermelha Internacional, 3 milhões de pessoas foram afectadas - isso é um terço da população. Milhares podem ter morrido.Reuters TV


Estima-se que centenas de pessoas possam estar soterradas nos escombros, fala-se em muitas mais centenas de feridos e sabe-se que milhares ficaram desalojados na sequência do abalo, que durou quase um minuto e registou uma magnitude de 7,0 na escala de Richter. Três horas depois do primeiro tremor, às 4h53 da tarde de ontem, terça-feira (21h53 hora de Lisboa), já se tinham seguido mais de dez réplicas, a mais forte das quais com uma intensidade de 5,9.

Uma gigantesca operação de emergência está a ser montada, com recursos a chegarem dos Estados Unidos e de outros países sul-americanos. Organizações de assistência como a Cruz Vermelha disponibilizaram já centenas de milhares de dólares em ajuda, e múltiplas organizações humanitárias preparam-se para partir para o empobrecido país das Caraíbas. Apesar de ontem ser impossível perceber o real estado em que se encontra Port au Prince, era claro que o Haiti não tinha capacidade para lidar com semelhante calamidade.

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Alcide Joseph, classificou a situação como uma “catástrofe de gigantescas proporções”. As primeiras informações apontavam para um grau muito significativo de destruição, com estradas cortadas, pontes partidas e milhares de edifícios em ruínas. O terramoto, com epicentro a cerca de 15 quilómetros de Port au Prince, deixou a cidade coberta por uma densa poeira durante horas. A capital ficou sem electricidade e sem telecomunicações; as ruas encheram-se de pessoas em fuga dos edifícios que colapsavam como castelos de areia. “Começou tudo a tremer, as pessoas gritavam, as casas começaram a cair, foi o caos total”, relatou o correspondente da Reuters, Joseph Guyler Delva. “Vi várias pessoas mortas, e muita gente enterrada debaixo de escombros. As pessoas gritavam ‘Jesus, Jesus’ e corriam em todas as direcções”, prosseguiu.

Segundo as estimativas do US Geological Survey, cerca de três milhões de pessoas poderão ter sido afectadas pelo tremor de terra. “O sismo ocorreu em terra e não no mar, o que quer dizer que houve uma vasta população directamente exposta ao abalo do terramoto, cuja falha foi relativamente superficial”, explicou o geólogo Mike Blanfield. Além do epicentro se ter localizado numa área urbana densamente populada, as várias réplicas, de grande intensidade, eram capazes de ter destruído os edifícios que tivessem resistido ao primeiro abalo.

De acordo com a Associated Press, um dos edifícios que desabou foi um hospital em Petionville, um subúrbio de Port au Prince. Várias casas desfizeram-se por uma ravina abaixo no mesmo bairro. Testemunhas oculares davam conta de milhares de pessoas feridas, perdidas pelas ruas, e também de muitos mortos. Também relatavam os esforços para retirar pessoas dos escombros – de escolas, supermercados, igrejas, prédios. O embaixador do Haiti em Washington referiu danos sérios no Palácio Presidencial, bem como em ministérios e outros edifícios governamentais. O Presidente René Préval encontra-se bem, adiantou o diplomata.

Pela noite e madrugada, era impossível perceber até que ponto as autoridades locais foram capazes de responder à situação – vários relatos diziam não haver ambulâncias, carros de polícia, de bombeiros ou escavadoras. Um desafio imediato para a assistência internacional era chegar ao país: todos os voos foram cancelados e o aeroporto fechado. Não tinha ainda sido determinado se a pista estaria em condições de receber os aviões de carga que estavam a ser preparados com ajuda de emergência.

O Haiti é o país mais pobre do hemisfério ocidental: 80 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza, com acesso a menos de dois dólares por dia. A capital, que no início dos anos 50 contava com 250 mil habitantes, actualmente alberga entre dois a três milhões de pessoas, agrupadas em imensos bairros de lata. Outros seis milhões estão dispersos pelo resto do país, sobrevivendo sobretudo de uma pobre agricultura de subsistência. Uma severa deflorestação deixou o Haiti com apenas dois por cento do seu coberto vegetal.

Uma força internacional de manutenção de paz, ao serviço da Organização das Nações Unidas, permanece no país desde o golpe que levou à expulsão do Presidente Jean-Bertrand Aristide, em 2004 . O grosso do contingente militar, de 7000 efectivos, é assegurado pelo Brasil, país que representa o Haiti junto das instituições internacionais. Além dos capacetes azuis, servem no Haiti 2000 polícias enviados por outros países – ontem, a missão da ONU não respondia a contactos do exterior. Uma porta voz em Nova Iorque adiantou que o quartel-general da missão tinha colapsado e que o paradeiro de grande parte do pessoal era desconhecido. “Estamos a tentar falar com os nossos funcionários no terreno, mas debatemo-nos com os problemas de comunicação que são usuais em situações de desastre como esta”, referiu Stephanie Bunker.

Falando com a CNN via Skype, a cerca de 100 quilómetros da capital Port au Prince, Gregory Van Schoyck, ligado a uma organização humanitária cristã, descreveu o isolamento completo em que não só a capital mas também o resto do país caiu na sequência do terramoto: “Não há notícias, não há luz nem telefones, não se pode circular para lado nenhum. Aqui a terra estremeceu, mas os danos são reduzidos. Mas não sabemos nada do que se passa em Port au Prince, a população está muito assustada e preocupada”, contou.

O Departamento de Estado norte-americano accionou um “plano de resposta a desastre”, e admitiu que a situação prenunciava uma “séria perda de vidas”. O Presidente Barack Obama manifestou a sua solidariedade com todos aqueles afectados pelo terramoto e prometeu “toda a ajuda necessária” para as operações de rescaldo – apoio humanitário e assistência civil e militar, que estava já a ser avaliada. A ONU, o Banco Mundial e outras organizações internacionais lançaram apelos para a colaboração dos países nas operações de salvamento e no trabalho de reconstrução do país.

O Haiti é ciclicamente assolado por desastres naturais. A capital Port au Prince foi parcialmente afectada por um sismo de magnitude 6,7 em 1984. Em 2004, mais de três mil pessoas morreram na sequência do furacão Jeanne, que dizimou a cidade de Gonaives, no noroeste do país. Quatro anos mais tarde, a mesma cidade foi novamente devastada por quatro sistemas tropicais. Desde 2008, os furacões Gustav, Hanna e Ike mataram 800 pessoas e causaram prejuízos avaliados em mil milhões de dólares.

O sismo de terça-feira foi igualmente sentido na vizinha República Dominicana, levando a população de Santo Domingo para a rua em pânico. O leste da ilha de Cuba também tremeu, e as povoações costeiras, bem como a cidade de Santiago foram evacuadas por precaução, mas não se registaram danos.