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domingo, 15 de maio de 2011

Sismo em Espanha não terá consequências em Portugal

in Diário Digital / Lusa (quinta-feira, 12 de Maio de 2011 | 10:34)

O sismo que abalou na quarta-feira a cidade de Lorca, em Espanha, não terá consequências nem réplicas em Portugal porque o terramoto aconteceu numa zona longe da fronteiras de placas tectónicas, explicou à Lusa o sismólogo Francisco Carrilho.
«À partida Portugal não tira consequências diretas» até porque «o sismo aconteceu devido a um movimento numa falha tectónica longe da zona de fronteira», disse o diretor do departamento de sismologia e geofísica do Instituto de Meteorologia de Portugal.

Apesar de ter sido um terramoto com uma magnitude de «apenas» 5,2 na escala de Richter, o sismo teve efeitos que, segundo o sismólogo, ficam «no topo do topo dos expectáveis».

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Equipas mistas estão 'na gaveta'


in DN Online (12-01-2010)
Ministério Público avançou com suspeita de ligações dos dois bascos detidos em Portugal ao grupo separatista.

Dois anos depois da assinatura de um memorando de entendimento, Portugal e Espanha ainda não criaram qualquer tipo de equipa mista para a investigação do terrorismo, sobretudo para casos ligados às actividades da ETA. O documento previa a constituição de uma equipa liderada por magistrados, auxiliados por elementos das forças policiais. O ministério da Justiça remeteu os esclarecimentos para a Procuradoria-Geral da República. Esta entidade não respondeu à solicitação do DN.

A criação de equipas de investigação luso-espanholas para a investigação ao terrorismo voltou, novamente, à agenda depois de as autoridades espanholas terem admitido, ontem, que os dois suspostos etarras detidos em Portugal, Garikoitz García Arrieta e Iratxe Yáñez Ortiz de Barron, poderiam estar a procurar um local para o estabelecimento de uma base etarra em solo nacional. Interrogados pelo juiz Carlos Alexandre, ambos ficaram em prisão preventiva.

Um interrogatório que teve, como representante do Ministério Público, o procurador Vítor Magalhães (o mesmo que investiga o caso Freeport). De acordo com informações recolhidas pelo DN, o magistrado, além dos crimes de furto, posse de documentos falsos e desobediência, avançou com a acusação de ligação a organização terrorista aos dois detidos (crime previsto na Lei 53/2003, um diploma relacionado especificamente com o combate ao terrorismo.

Entretanto, o juiz da Audiência Nacional Fernando Grande Marlaska assinou, no domingo à noite, os mandados de detenção europeus (ver texto nesta página) contra os dois presumíveis etarras Garikoitz Garcia Arrieta e Iratxe Yañez Ortiz de Barron, detidos no sábado à noite em Portugal. O pedido de extradição vai correr no Tribunal da Relação de Lisboa e não no TCIC.

As forças de segurança espanholas continuam a investigar quais os objectivos da ETA relativamente a Portugal. Actualmente, há duas hipóteses: ou o grupo terrorista pretenderia montar uma pequena fábrica em território português ou então numa localidade fronteiriça do lado de Espanha, como por exemplo Bermillo de Sayago (Zamora) em que foram primeiro interceptados pela Guardia Civil.

Para as autoridades espanholas, o material encontrado dentro da furgoneta conduzida por Garikoitz Garcia é mais do que suficiente para a criação de uma base a partir da qual a ETA poderia sustentar vários atentados. Os 10 quilos de pentrita encontrados no veículo servem para fabricar 500 quilos de explosivos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mediterrâneo levou dois anos para encher


in DN (11.12.2009 por Bruno Abreu) Afinal não foram precisos 10 mil anos para o Mediterrâneo encher. Uma equipa de cientistas espanhóis fez um estudo e concluiu que um período de entre uns meses e dois anos foi o necessário, isto devido à força da água do Atlântico, que caiu de uma altura de um quilómetro e meio. O Mediterrâneo esteve quase a secar há cerca de seis milhões de anos.

Afinal a previsão dos cientistas estava errada: não foram precisos de dez a 10 mil anos para encher o mar Mediterrâneo, mas apenas uns meses ou no máximo dois anos. Esta é uma das principais conclusões de um estudo do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) de Espanha, que foi ontem publicado na revista científica Nature.

A descoberta deu--se quando os investigadores analisaram uma cratera de 200 quilómetros de comprimento perto do Estreito de Gilbraltar. Ao estudar dados sísmicos, para perceber de que forma a erosão tinha sido feita, acabaram por conseguir estimar o tempo que demorou a encher aquele mar.

Os cientistas detectaram ainda que a descarga de água que preencheu o espaço vazio chegou a ser mil vezes superior ao actual rio Amazonas, dizem os cientistas.
O mar Mediterrâneo esteve quase a secar há seis milhões de anos, ao ficar isolado dos oceanos durante 350 mil anos, devido ao actual levantamento tectónico do Estreito de Gibraltar. As águas do oceano Atlântico tiveram, então, de encontrar um novo caminho através do Estreito. Quando o descobriram encheram o Mediterrâneo com a maior e mais brusca inundação que a Terra jamais conheceu, segundo contam os investigadores espanhóis.

A enorme descarga de água aconteceu quando o istmo que liga a África à Europa se abateu. O desnível de ambos os mares, com um quilómetro e meio, fez encher o Mediterrâneo ao ritmo de até dez metros diários de subida do nível do mar. A inundação que ligou o Atlântico ao Mediterrâneo provocou no fundo marinho uma erosão de cerca de 200 quilómetros de comprimento e vários quilómetros de largura, segundo indica o estudo.

Foi neste período de até dois anos que o mar se encheu com 90 por cento da água que tem actualmente. O investigador do CSIC, Daniel García-Castellanos, que trabalha no Instituto de Ciências da Terra Jaume Almera, em Barcelona, disse que "a inundação que pôs fim à dessecação [processo de secagem extrema] do Mediterrâneo foi extremamente curta e mais do que assemelhar-se a uma enorme cascata, deve ter consistido numa descida mais ou menos gradual desde o Atlântico até ao centro do mar de Alborán".

Segundo o investigador, tratou--se de um "megarrápido" por onde a água circulou a centenas de quilómetros por hora.

Os cientistas desenvolveram um modelo que explica como os lagos montanhosos "deixam rapidamente de existir", quando a erosão produz rios que permitem que essa água seja drenada.

Geólogos estavam errados

Quando há uns anos os engenheiros pretendiam construir um túnel que unisse a Europa à África, tiveram de fazer estudos sobre o subsolo do Estreito de Gibraltar. Foi então que se depararam com um rego de várias centenas de metros de profundidade, que tinha sido enchido por sedimentos pouco consolidados. Os geólogos e geofísicos nos anos 90 pensaram erradamente que esta enorme erosão tinha sido causada por algum rio de grande caudal durante a dessecação do Mediterrâneo.

"Esperamos que o artigo contribua, em certa medida, para planear as obras do túnel para unir a Europa a África", declarou García-Castellanos.

Neste sentido, o investigador explicou que o trabalho se baseia em boa parte nos estudos preliminares deste projecto, "muito condicionado pela presença desse canal erosivo" que é relacionado com a inundação".